(Coisas de menina, e a oliveira que deu rosas)

Pedala-se devagar, ao longo do rio e dos campos amarelos-malmequer e vermelhos-papoila. As árvores de fruto estão em flor e, ao seu redor, a terra fresada prepara a cama da semente. Pequenos carvalhos americanos teimam em crescer fora da rede, enfezados pela falta de rega frequente e do calor anómalo da estação. Percorre-se a alameda empedrada, rodeada de sombra de tílias e carvalhos alvarinho. À entrada, sente-se o perfume das ervilhas de cheiro e o zumbido dos abelhões, nas suas cores.  No varandim da casa, regam-se pinheirinhos e abóboras e, na horta em frente, vão-se plantando batatas, feijão, tomate e cebolinho.  Espreita-se, em segredo, o vôo das andorinhas que, por cá, refazem o ninho. Pelo fresco da tarde, alimenta-se o forno, prepara-se o pão, tigeladas e bolinhos de côco. Cumprimentam-se velhos e novos, recontam-se histórias da terra, brinda-se à saúde de todos. A quinta nunca esteve tão bonita. Este ano, coisa nunca vista - uma oliveira deu rosas, uma oliveira deu rosas! Diz quem já conheceu miséria, que isto só pode ser um bom presságio.

 

publicado por Capa Rota às 22:00 | comentar