Bip Bip, Miss Aargh!

O espaço desorbitado parece falar sozinho: os amantes da sogra da outra, a conferência à volta da novela, a tosse de Belzebu, o pé roçado na cadeira, a histeria das senhoras da recepção, atravessada pela sonoplastia de malucos com outros apartes, a aguardar vez. Na cena, não há pausas, mesmo depois de esgotadas todas as armas do intelecto dos personagens. Apenas por curiosidade, o pratinho de Nossa Senhora pendurado entre o armário mal encostado, o fenómeno das baratas, dos posters da vacinação e da gripe A rasgados a meio. Chão meio taco, meio nada, ao pontapé e a prateleira da televisão, que nunca conheceu a sofisticação de uma bolha de nível. Depois da pausa para o café, o doutor lê, o melhor que pode, o nosso nome. Numa espécie de versos, maldadezinhas de trazer por casa entre doutores à porta, cruzes canhoto, não vá o doente enganar-se a caminho dos lavabos e mijar para o pauzinho (que se enrola em papel higiénico),  logo ali no corredor. Receita na mão, mais ou menos falsificada a letra de imprensa, para que o bêbado da farmácia não se engasgue no avio. Valha-nos o antibiótico travestido à boca de cena, depois de uma noite passada no Serviço de Urgência mais perto de si.

publicado por Capa Rota às 21:05 | comentar