(Coisas de menina e a música - futuro do pretérito)

Eu tive um pianinho, uma viola e um acordeão. O meu pai construiu-me uma colecção de cegarregas e a minha mãe deu-me a sua própria flauta. Não terá sido por falta de recursos ou estímulo, apesar de achar, na altura, que se tivesse uma flauta transversal e um estojo com um interior de veludo vermelho, a minha aptidão musical poderia ser diferente. Tive má nota no solfejo e no coro nunca fui afinada. A minha única apresentação musical foi na Vivenda Violeta. A apreciação final do professor foi positiva, apesar de um pequeno reparo pessoal. Parece que me tinha desorientado, eu, que para não prejudicar o grupo, resolvera fazer playback com o instrumento. Transformei o meu acordeão numa máquina de escrever, prendendo as folhas no intervalo do fole. Mais tarde, aprendi a estalar os dedos. Perdiria e estragaria, a seu tempo, todos os meus instrumentos de brincar, não por pensar que a minha escassa persistência não me traria futuro na música. 

 

Hoje, ao ver este delicioso trio, penso como deve ser um orgulho para os pais ter filhos assim. Plim! Plim! Plim!

 

[We Were Evergreen, Baby Blue.]

publicado por Capa Rota às 18:48 | comentar