Deixemo-nos de coisas!


 

A campanha começou, hoje. Ontem, no programa Prós e Contras, a coisa aqueceu entre Lídia Jorge e Laurinda Alves. Tudo por causa da coisa!

Coisa para aqui, coisa para ali, enfim... coisa ou coisinha? Um embrião com 10 semanas é uma coisa humana ou um ser humano? Chucha, não chucha, tem pulsação, não tem pulsação? Aborto é homicídio, não é homicídio? É medieval, quem é medieval, o que significa medieval?

Deixemo-nos dessas coisas! Há outras.

→ Se o Não oferece o que está e o que está está bem, o melhor é deixar a coisa em paz.

→ Se o Não oferece o que está e o que está está bem, o Sim significa um custo desnecessário de 20 milhões de euros anuais ao orçamento do Estado.

→ Se o Não oferece o que está e o que está está bem... Mau! Não venham querer gastar dinheiro público com projectos de prevenção, educação, aconselhamento, orientação, ajuda social e mais não sei quê... É que, depois, 20 milhões não chegam!

→ Se o Não oferece o que está e o que está está bem, não se queixem das coisas que vêem e ouvem por aí... sobre mães que morrem ou que querem morrer, que abandonam coisas nos contentores e WC públicas, que negligenciam, abusam, matam as suas coisas e as dão a comer aos porcos.  Coisas que, com 10 semanas intra-utrinas, foram seres humanos, com pulsação e, inclusive, chucharam no dedo!

 

Enfim. Deixemo-nos de coisas  e toca a puxar dos galões. A coisa fica logo com outro ar! Não tenho 20 anos e esta coisa já não me causa discussão. Não sou rica nem pobre. Não sou mãe nem sei se serei avó. Sou muito filha e fui muito neta. Às vezes, amo a vida, outras não. Sou mulher. E, depois de tanta coisa digo que, à margem do resultado deste referendo e das coisas e coisinhas éticas, morais e jurídicas que se discutem, como mulher, farei o que eu quiser!

Se Sim, se Não? É comigo, é convosco. Até lá,  mudarei, sempre, de canal para não ver as coisas como estão.  Assim como as coisas... ai, as avestruzes!

 

publicado por Capa Rota às 18:03 | comentar