- Canta lá uma porca!


 

Flores do campo

são as mais singelas

são as papoilas

dos trigais

 

O flauteiro era quem tinha mais saída, mas ninguém ficava sem par. Homens, mulheres, rapazes e raparigas, tudo cantava e dançava lua fora, que o dia era de trabalho. Os gaiatos de rojo, deitavam o pião, jogavam ao botão, ao pirolito, desapertavam laçarotes, fugiam aos pinotes.

Com a chegada da luz, as porcas perderam-se no preto e branco do televisor. Gaiatos deixaram de o ser e os outros, cada vez menos.

A viola, recorda-a hoje, o Rapaz da Quinta. Os poucos acordes sabidos não avivaram a cor das porcas. Restam as fotos, tiradas à vez, no cimo de uma carroça, com o instrumento mudo nas mãos. Restam as fotos, porque quem foi não volta.

 

Flores do campo

são as mais singelas

são as papoilas

dos trigais

 

Ora batam palmas

aos namorados

de braço dado

pelos arraiais

 

publicado por Capa Rota às 21:41 | comentar