Perfect Day


 

Apanho conchinhas, pela manhã. Faço sandálias com algas e não molho o vestido. Sento-me de pés bem enterrados e rabisco uns desenhos. Para não ter medo, há alguém na praia, mas esse alguém não fala nem usa boné. Estendo a toalha, faço uma almofada de areia por baixo. Guardo as minhas coisas num montinho, alinho os sapatos. Deito a cabeça e por cima da toalha mordo a areia. Ouço o barulho nos dentes. Leio o meu livrinho de barriga para baixo. Levanto a areia com os pés e deixo-a cair. Não há vento. Este pormenor é muito importante: não há vento para despentear cabelos, arrepiar a pele e virar  páginas à bruta.  Cantarolo Lou Reed e o dia é perfeito.

publicado por Capa Rota às 20:16 | comentar